Marcelo Marques

Um texto lúcido sobre o abandono do patrimônio histórico de Belém.

IMG_6022O SIGNIFICADO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E CULTURAL E SEU ATUAL ABANDONO EM BELÉM DO PARÁ

 

Sylvia Liger Di Piagentinni, professora graduada em arte.

 

Analisando historicamente a palavra “patrimônio”, esta adveio do grego e significa tudo aquilo que é deixado pelo pai e transmitido para seus filhos, com o decorrer dos tempos o significado se estendeu ao conjunto de bens materiais ou imateriais que relacionam uma identidade, cultura ou passado. O termo “patrimonium” em latim também tem significação semelhante, ao expressar que seria o que pertencia a uma pessoa.

Assim, pela análise histórica do termo patrimônio, conclui-se que seria a representação cultural, social e até econômica de um indivíduo, de um povo, de um grupo, com tamanha relevância para ser preservado e transmitido as futuras gerações, originando uma identidade, ou refúgio histórico deste.

É inegável que o patrimônio agrega valores, na verdade é o próprio valor, e é por este motivo que está cada dia mais explorado e cobiçado, fazendo com que se tenha início o chamado processo de patrimonizar as riquezas materiais e imateriais de cada povo, instituição, nação.

É lamentável constatar que Belem vem caminhando na contramão deste processo de patrimonizar seus bens materiais e imateriais. Prova disso é o descaso, o desprezo, o desrespeito pela memória histórica do Estado do Pará, etc…que é visível à cada esquina em que se galga o solo da capital paraense, riquíssima em História, mas paupérrima em preservação. Uma cidade wue ja teve tudo, e hoje se encontra entregue ao mais completo abandono, e tudo por falta de empenho dos governantes locais. O paraense hoje vive como um rato num esgoto. Doa a quem doer, mas a verdade é essa. Afundados na lama que os eleitos pela própria sociedade, transformaram a cidade e sua História de ouro.

Preservar os prédios históricos, nada mais é do que garantir o futuro das próximas gerações, que nascerão conhecendo pelo menos um pouco da história de lutas, conquistas e glórias que o povo paraense adquiriu ao longo dos tempos.

O futuro de um povo é medido pela história que acumula ao longo dos tempos, assim sendo, um povo sem história é um povo sem futuro.

Seguindo essa linha de raciocínio é que muitos lugares no Brasil e no mundo também tem como principal fonte de captação de recursos o turismo, neste oferecem não apenas as visitações a prédios históricos e museus, mas também toda uma cultura imaterial como música, danças, culinária, artefatos regionais, cartões postais, camisetas, canetas, enfim, esses lugares que tem o turismo como principal fonte de renda estão cada dia mais próspero e sua população mais satisfeita, isso pelo fato de todos serem agraciados com as vantagens que a valorização e a preservação dos patrimônios materiais e imateriais trazem não apenas ao Estado, que se fortalece contando sua história e fazendo história, mas a população como um todo que além de conhecer cada vez mais seu Estado, começa a se envolver, vai criando laços e desenvolvendo ideias de progresso, de desenvolvimento.
Na capital paraense o turismo em prédios históricos esta à cada dia mais escasso e sem elaboração. Nada se tem para mostrar a não ser janelas quebradas, paredes pichadas, manchadas por infiltrações, depredação e desprezo pela História do Pará. Muito tenho dito sobre essa questão, tão séria e sem solução aparente. É lamentável que isso nao desperte o interesse da sociedade, nem mesmo quando uma matéria como essa é postada numa rede social. As pessoas até curtem, mas permanecem caladas, alimentando a omissão do poder público, e a sua própria. Para mim, essa questão é incômoda e revoltante. Tenho uma história de luta no que tange ao assunto patrimônio histórico. Infelizmente, uma andorinha só, nao faz verão.
#acordasociedade.