Marcelo Marques

Polícia Federal indicia

IMG_6401G1  – A Polícia Federal indiciou o filho do governador do Pará, Alberto Jatene, pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. Ele havia sido preso durante a operação “Timóteo” da polícia federal em 16 de dezembro, mas foi solto por um habeas corpus no dia 18 do mesmo mês. O G1 tenta contato com o advogado de Alberto, mas ainda não foi atendido.
Ao todo 50 pessoas foram indiciadas pela operação Timóteo desde dezembro de 2016, entre elas Alberto Jatene e o pastor Silas Malafaia. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (24). A Polícia Federal informou que não irá comentar o caso, já que a apuração das irregularidades corre em segredo de justiça.
Alberto Jatene é assessor jurídico do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas dos Municípios do Pará. Segundo a polícia, por conta do seu cargo ele teria recebido R$ 750 mil de um escritíorio de advocacia que intermediava contratos fraudulentos para exploração mineral no intuito de conceder vantagens ao grupo criminoso.

O governador do Pará, que cumpre agenda no interior do estado, não se manifestou sobre o indiciamento do filho. Na época da prisão, Simão Jatene (PSDB) publicou um vídeo nas redes sociais defendendo a conduta de Alberto.

“Como pai, eu não posso deixar de registrar a profundar dor e estranheza que me causou ver o nome do meu filho, cuja história não sugere ou registra qualquer desvio de conduta, figurar na referida operação. Preocupado em ser justo e não fugir à verdade, fiz questão de ler centenas de páginas para constatar que meu filho, Alberto, é mencionado poucas vezes e de forma absolutamente superficial, como se mostrará adiante”, disse o governador na gravação (veja vídeo abaixo).
O esquema criminoso
A operação Timóteo ocorreu em 11 estados e no DF. Ela foi batizada desta forma em referência a um dos livros da Bíblia. A organização criminosa, de acordo com a PF, agia junto a prefeituras para obter parte dos 65% da chamada Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) repassada aos municípios. Em 2015, o CFEM acumulou quase R$ 1,6 bilhão.

Ainda conforme os investigadores, munidos das informações, os suspeitos entravam em contato com municípios que tinham créditos do CFEM junto a empresas de exploração mineral para oferecer seus serviços.